Liderança – Mais uma aquisição de empresa… como ficamos?

Há 15 anos, participei de uma palestra que falava sobre varejo. Nesta época eu iniciava numa nova função justamente nesta linha. O  palestrante então dizia… ”o varejo tende a sofrer mudanças bruscas nos próximos anos, somente três ou quatro grandes grupos emergirão no mercado e todos os demais buscarão espaços num segundo e terceiro escalão com maior dificuldade”.

Hoje mais uma aquisição anunciada no varejo. Magazine Luiza em crescimento constante faz mais uma investida com aquisição do Baú da  Felicidade se consolidando na segunda colocação em faturamento no varejo nacional. O veículo que anunciou a aquisição fez comparações com a “Máquina de vendas” termo utilizado a fusão entre Ricardo Eletro e Insinuante recentemente efetuada.

Fusão anunciada e tudo se movimenta, acordos com fornecedores, estudos de novas composições de diretorias, quadros de funcionários de acordo com os padrões da adquirente, o que fazer com lojas deficitárias, o que fazer com lojas em duplicidade numa mesma cidade, e outros fatores
diversos que afetam não só pessoas diretamente ligadas às empresas, mas também várias outras pequenas empresas de transporte, montagem, mídia, limpeza, etc…

No mercado financeiro, a tão debatida bolsa de valores acena com valorização evidente da empresa, e muitos outros fatores que interferem na
vida de investidores e consumidores em geral.

Sem dúvidas, as grandes empresas se decidiram por um caminho de crescimento irreversível em busca de espaços que fazem a diferença na
credibilidade do consumidor e no poder de negociação junto à indústria. Quem mais compra, menos paga… É a lei da oferta e procura e negar isto é negar a lei que impera ao longo do tempo na economia mundial. Fazer parte do topo do ranking das grandes empresas tem como vantagem competitiva o poder de negociação e obviamente o poder de oferecer produtos a preços mais baixos ou engordar os resultados com uma maior margem de contribuição do produto.

Mas, nosso foco aqui é voltado a estabilidade ou desconfiança com que convivem os líderes no mercado. Obviamente que não existem  espaços para diretores, regionais, supervisores, departamentos de compras, transportadores e outras funções diversas em duplicidade nas empresas, sejam elas quais forem. Isto vem acontecendo com as grandes redes de supermercados, grandes bancos e obviamente com o comércio. A cada negociação os espaços no topo e na área média da pirâmide precisam passar por reajustes e a pressão passa a ser forte, conviver com a instabilidade não é nada fácil. Pior é que esta decisão não é momentânea, é algo que ocorre ao longo do tempo na medida em que o processo vai se consolidando.

Hoje numa conversa com um representante comercial, conversávamos sobre a questão da concentração da dependência da indústria de grandes grupos varejistas. Afinal o que qualquer industria teme é concentrar em demasia o fornecimento  em quem quer que seja. Basta olharmos os últimos 20 anos e entender quantas grandes marcas se foram e deixaram um grande ônus para indústrias que por pouco não sucumbiram em face de inadimplência.

Há cerca de quatro meses, participamos de um encontro em São Paulo que tratou de que forma pequenas consultorias poderiam fazer frente a
grandes consultorias dominantes no mercado. Buscávamos uma alternativa de como conviver com a competitividade e credibilidade ante a um mercado já meio descrente nesta área. Chegamos à conclusão que todos têm espaços desde que trabalhem de forma inteligente e associada não necessariamente formando uma cooperativa e sim repassando a seus associados aquilo que não se julguem competentes em fazer bem feito. Nesta área, dificilmente temos uma segunda chance de demonstrar uma melhor boa impressão. A primeira é a que fica.

Da mesma forma, o varejo vai continuar convivendo nesta guerra entre os gigantes e os de menor porte. Espaços existem para todos, desde  que façam algo diferente. Sem dúvidas, os grupos menores terão que trabalhar com mais inteligência e aprimoramento no atendimento com uma equipe melhor estruturada, enxuta e disposta a contribuir de forma mais participativa no processo.

Nas pequenas e médias empresas, sem dúvidas o controle e a qualificação da equipe é mais fácil do que nos grandes conglomerados. A  movimentação é mais rápida por questões lógicas. O componente comunicação numa empresa de médio e pequeno porte é muito mais assertivo do que num grande grupo onde os ruídos obviamente são maiores.

Quando uma empresa faz fusão ou aquisição, vê como investimento e logo em seguida sofre com custos inevitáveis face aos ajustes necessários, fechando pontos onde não é conveniente manter um segundo ponto, demitindo executivos em duplicidade, aceitando demissões de pessoas que não se adéquam a uma nova realidade ou a uma nova cultura organizacional e respondendo por processos trabalhistas que herdam numa negociação.

Portanto, pequenos e médios concorrentes  têm um espaço bastante atrativo para continuar buscando crescimento e para tanto precisam investir no capital humano, treinando, filtrando, enxugando de forma inteligente e acima de tudo retendo “talentos”. O ser humano sempre olha para grandes empresas com uma oportunidade de crescimento, mas, se bem tratado, se reconhecido isto pesa na hora de tomar uma decisão. Melhor viver onde se é reconhecido e isto pode ser feito tanto por grandes quanto médias e pequenas empresas.

O velho jargão… ”as pessoas amam as empresas que trabalham mas odeiam alguns chefes que têm”, mais do que nunca tem fundamento.

De uma coisa não temos dúvidas, o poder de compra faz a diferença no preço, mas também precisamos considerar que o poder de reação de
alguma forma diferenciada torna qualquer empresa, não importa o tamanho, competitiva.

Foi-se o tempo em que os Grandes engoliam os Pequenos… Agora os Rápidos engolem os lentos.

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